Arquitetos brasileiros começam a imaginar o Templo Bahá’í do Brasil

Workshop realizado pela Comunidade Bahá’í do Brasil inicia processo seletivo do projeto arquitetônico de forma surpreendente

À medida que arquitetos representantes de 21 escritórios brasileiros de arquitetura chegavam ao workshop sobre o futuro Templo Bahá’í do Brasil, promovido pela Comunidade Bahá’í, um sentimento entre eles crescia de forma unânime: a raridade daquele momento. Certamente, todos já haviam participado de concorrências para projetos arquitetônicos ao longo de suas carreiras. Não havia novidade em participar de mais uma. Incomum, entretanto, era a natureza do evento que, em vez de promover o espírito de competição entre eles, criou um ambiente de cooperação e aprendizado sobre os conceitos, os significados, e as funções de um Templo Bahá’í.

A concepção do workshop se baseou em um dos conceitos fundamentais que anima a Comunidade Bahá’í, a ideia de que a cooperação e reciprocidade são mais importantes do que a competição e a conquista individual.

Vivências conjuntas

Realizado em Brasília no mês passado (novembro de 2025), o workshop promoveu diferentes vivências para os participantes. Apresentações sobre a Fé Bahá’í e seus templos permitiram aos arquitetos iniciarem sua exploração sobre os principais conceitos do projeto, entre eles, os de adoração e serviço, e da universalidade do propósito para além das barreiras religiosas.

Um estudo participativo em que todos os presentes puderam refletir, baseados em textos sagrados bahá’ís, sobre como podem aplicar no campo da arquitetura esses conceitos, permitiu que um dos participantes afirmasse que “não é comum arquitetos sentarem juntos para conversar sobre suas ideias acerca do projeto pelo qual estão concorrendo”, mas que “neste workshop pareceu natural que fizéssemos exatamente isso”.

“O Templo já existe”

Em uma das vivências mais surpreendentes, o corpo de arquitetos esteve com mais de uma centena de jovens do Distrito Federal que estavam participando de um intensivo de capacitação. Em conversas abertas, os arquitetos puderam ouvir dos jovens o que pensam a respeito do Templo Bahá’í e verificar na prática como apenas o anúncio do projeto foi capaz de engajar uma população tão jovem a pensar no futuro Templo e se imaginar parte dele. “O Templo já existe”, foi a afirmação de uma jovem aos arquitetos, mostrando como essa ideia, mesmo no aspecto ainda simbólico, já se concretiza em sua vida.

Todos os escritórios representados tiveram ainda a oportunidade de serem individualmente entrevistados pelo grupo técnico, nomeado pela Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil, para conduzir o processo de seleção de projetos. Durante as entrevistas, os arquitetos puderam compartilhar suas experiências profissionais e suas impressões acerca do desafio de projetar o Templo Bahá’í do Brasil. O encerramento do evento foi muito significativo, com uma visita de todos os profissionais ao terreno do Templo, onde foram feitas orações e uma caminhada de reconhecimento do lote de 30 mil metros quadrados.

Próximos passos

O grupo técnico designou o mês de março de 2026 para a apresentação de propostas preliminares por parte dos escritórios participantes do Workshop. “Temos ainda inúmeras etapas a cumprir nessa longa fase de projeto, mas esse workshop mostrou como queremos conduzir o processo — com espírito de unidade, com transparência, e com paridade de condições para todos os escritórios participantes”, afirmou um dos membros do grupo técnico.

Sobre o Templo Bahá’í do Brasil

A Comunidade Bahá’í do Brasil anunciou planos de construir seu Templo Nacional na capital federal, Brasília, após o empreendimento ter sido anunciado em outubro de 2024 pela Casa Universal de Justiça, instituição que governa a Comunidade Mundial Bahá’í. Este será o primeiro Templo Bahá’í construído no Brasil.

Estes templos são descritos nos textos sagrados bahá’ís como Mashriqu’l-Adhkár, uma expressão árabe que significa literalmente “O Lugar do Alvorecer do Louvor a Deus”. Nestes mesmos escritos, os Templos Bahá’ís são apresentados como edifícios abertos aos seguidores de todas as religiões e à inteira sociedade. Eles cumprem com um duplo propósito de ser um espaço de adoração universal a Deus e uma fonte de inspiração à prática do serviço desprendido e abnegado para toda a humanidade.

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