Por ocasião da celebração da Ascensão de Bahá’u’lláh
Por Ana Lemos –
Uma fé que inspira ação concreta para um mundo mais justo
No dia 28 de maio próximo, bahá’ís no Brasil e em todo o mundo observam o 133º aniversário da Ascensão de Bahá’u’lláh, Manifestante Divino e Fundador da Fé Bahá’í. A data é registrada como um dos feriados bahá’ís, e convida a todos para uma reflexão sobre Seu legado que, embora deixado à humanidade há mais de um século, permanece vivo na maneira como a comunidade bahá’í procura implementar na prática Seus princípios, e atual na ampla aplicação que Seus ensinamentos possuem aos problemas contemporâneos do mundo.
Bahá’u’lláh apresentou à humanidade princípios universais que permanecem atuais diante dos desafios do século XXI. Em um mundo marcado por desigualdade, fragmentação e conflitos de identidade, Seus ensinamentos sobre a unidade da humanidade, a dignidade de todos os povos, a centralidade da justiça e a superação dos preconceitos oferecem mais do que inspiração. São diretrizes reais para a construção de uma nova forma de convivência humana.
A fé revelada por Bahá’u’lláh propõe um equilíbrio dinâmico entre a vida interior e a ação no mundo. Cada ser humano é chamado a desenvolver suas qualidades mais elevadas e, ao mesmo tempo, contribuir para o bem coletivo. Trata-se de uma espiritualidade ativa, que se manifesta nas escolhas éticas, nas relações sociais e na disposição para servir. Viver com esse duplo propósito é reconhecer que progresso pessoal e transformação social caminham juntos.
Recordar a Ascensão de Bahá’u’lláh é reafirmar que a transformação é possível. Não por meio de discursos isolados, mas através de comunidades que, em diversos contextos, trabalham de forma colaborativa para construir ambientes mais justos, espiritualmente vivos e socialmente inclusivos. Esse modelo de civilização está sendo construído em silêncio, dia após dia, por pessoas comuns guiadas por valores extraordinários.
Em periferias urbanas e zonas rurais, em vilarejos africanos e cidades latino-americanas, em escolas, lares e centros comunitários, bahá’ís e seus amigos se reúnem para aprender juntos, servir às suas comunidades e cultivar ambientes de apoio mútuo. São espaços simples, mas com grande potência transformadora. São vidas que se entrelaçam com propósito, movidas por uma fé que vê o mundo não como está, mas como pode vir a ser.
A proposta de unidade na diversidade, trazida por Bahá’u’lláh, ganha relevância ainda maior diante do cenário atual de polarização e exclusão. Sua visão não exige a uniformização das culturas ou o apagamento das identidades. Ao contrário, valoriza a pluralidade como um sinal de riqueza espiritual. “A Terra é um só país, e a humanidade, seus cidadãos”, escreveu Ele. Essa é uma afirmação que convida à ação e à corresponsabilidade global.
Ao celebrarmos Sua Ascensão, cabe perguntar: que papel queremos ter nessa história? Vamos apenas observar o mundo se fragmentar ou podemos nos ver como partes de uma grande reconstrução espiritual e social?
Diante dessa visão, cabe a cada um de nós refletir sobre seu papel. Estamos apenas observando as rupturas do mundo ou já participamos ativamente da sua reconstrução espiritual e social? A resposta não depende de grandes feitos, mas de compromissos cotidianos com a verdade, com a justiça e com o cuidado pelo outro.
A mensagem de Bahá’u’lláh não está distante no tempo nem no espaço. Ela se revela na promoção da unidade, na construção de comunidades, na promoção da educação, no serviço ao próximo, na escuta atenta, no trabalho honesto. Neste 28 de maio, a data da Ascensão é mais do que memória. É chamado, é direção, é convite à transformação interior e ao compromisso com a edificação de uma humanidade unida e solidária.
Ana Lemos é jornalista e membro da comunidade bahá’í.