Há um ano e meio a Comunidade Bahá’í do Brasil e seus parceiros, entre escolas públicas, famílias e organizações locais, articulam colônias de férias que ultrapassam a mera supervisão de alunos durante o recesso escolar. Com centenas de participantes na edição mais recente, o projeto nasce com uma intenção clara: apoiar o desenvolvimento social em consonância com as diretrizes da Casa Universal de Justiça e os objetivos do Plano de Nove Anos.
Em 2021, em uma mensagem dirigida a todos os bahá’ís do mundo, a Casa Universal de Justiça destacou a importância de educar as gerações mais jovens como base para a transformação social. No início de 2022, a mesma instituição lançou o Plano de Nove Anos, que inclui capacitar as gerações mais jovens, fortalecer as instituições locais e consolidar um serviço organizado e contínuo à sociedade.
As colônias de férias traduzem esses objetivos em práticas concretas por meio de seus três pilares. Ao valorizar a dignidade humana, preparam as novas gerações para o exercício do serviço e da liderança. Ao estimular a participação social, fortalecem os laços comunitários e as estruturas locais de apoio. Ao promover a desconstrução da violência, criam continuidade de assistência e solidariedade no território. Cada edição da colônia representa uma parcela desse esforço sistematizado de construção de comunidade para a melhora do mundo.
- Dignidade humana:
A convicção de que toda criança e adolescente carrega um valor inalienável orienta cada momento das colônias. Ambientes seguros e acolhedores são cuidadosamente preparados para romper visões estigmatizantes e reforçar o potencial criativo de cada participante. Em apoio à recomendação da Casa Universal de Justiça de 2021 sobre a educação das gerações mais jovens, facilitadores treinados criam “zonas sem julgamentos” e formam duplas de acolhimento para garantir que mesmo os mais tímidos sintam-se ouvidos.
Na prática, oficinas de arte incentivam expressão livre por meio de pintura, colagem e música; rodas de conversa convidam cada jovem a partilhar suas ideias enquanto colegas praticam escuta ativa. Essas dinâmicas diárias fortalecem a autoestima e traduzem o reconhecimento mútuo em ações concretas, consolidando o respeito como a base de toda relação no grupo.
- Participação social
O protagonismo local ganha vida por meio de parcerias entre facilitadores bahá’ís, famílias, professores, comerciantes e as próprias escolas públicas. alinhados ao princípio bahá’í de serviço ao próximo, esses grupos planejam e executam mutirões de limpeza de praças, plantio de hortas comunitárias e oficinas culturais abertas à vizinhança. cada ciclo se inicia com o levantamento das necessidades locais e se encerra com uma avaliação conjunta dos resultados, transformando cada atividade num verdadeiro laboratório de cidadania ativa. nesse ambiente, os jovens assumem papéis de liderança, aprendem a tomar decisões coletivas e criam vínculos duradouros com o território em que vivem.
- Desconstrução da violência
Para promover relações pautadas na justiça e na solidariedade, as colônias utilizam jogos cooperativos e dinâmicas de resolução de conflitos que exigem diálogo e empatia. Ao vivenciar situações em que o êxito depende do esforço coletivo, as crianças aprendem que a cooperação combate padrões de medo e exclusão. Essas práticas contribuem para a formação de uma cultura de paz que ultrapassa o período das férias.
Cada edição das colônias representa a aplicação prática dos três pilares, com base na dignidade humana, na participação social e na promoção da paz, alinhada às diretrizes da Casa Universal de Justiça e aos objetivos do Plano de Nove Anos. Nesse processo, crianças e adolescentes assimilaram valores essenciais enquanto famílias e comunidade local se envolvem em ações concretas de serviço. A Comunidade Bahá’í do Brasil contribui dessa forma para a formação de cidadãos conscientes e para a edificação de comunidades resilientes e justas.