Juventude mobiliza comunidade da Vila do Boa em ato de serviço e fortalece cultura de cuidado coletivo

Mutirão de limpeza do córrego Mato Grande dá continuidade a um processo de transformação comunitária impulsionado pelos pré-jovens, adolescentes entre 12 e 15 anos

Na manhã do penúltimo sábado, 2 de agosto, a comunidade da Vila do Boa, em São Sebastião (DF), viveu mais um capítulo de uma transformação gradual e persistente. Jovens e pré-jovens da região, ao lado de educadores, moradores e parceiros institucionais, realizaram um mutirão de limpeza às margens do córrego Mato Grande. A atividade deu continuidade a um processo formativo e coletivo que vem se fortalecendo ao longo dos anos.

“Nosso alvo aqui hoje é fazer uma limpeza na margem do córrego, removendo o máximo possível de resíduos”, explicou Robson Majus, educador ambiental envolvido na atividade e animador de um grupo de pré jovens. “Mas, mais do que isso, queremos mostrar para a comunidade a importância de cuidar do ambiente onde a gente mora. Queremos alcançar todos, convidar para os próximos passos”.

Robson Majus, educador ambiental envolvido na atividade e animador de um grupo de pré jovens.

A ação contou com a participação de crianças e adolescentes entre 11 e 14 anos, organizados em equipes que atuaram em diferentes trechos do córrego. O trabalho teve apoio de parceiros como o grupo Mutirões X e o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), além de comerciantes e moradores da região. Para os jovens envolvidos, a atividade foi ao mesmo tempo educativa e empolgante.

Grupo Mutirões X e o Serviço de Limpeza Urbana (SLU)

“Eu gostei de entrar no meio do mato, pular por cima do córrego… muito legal”, contou Luisa Cristina, de 13 anos, moradora da região. “Além de ajudar o meio ambiente, ainda foi uma aventura”. Evelyn, de 11 anos, refletiu sobre o impacto da ação: “Aprendi que jogar lixo no mundo não é certo. Se continuarem fazendo isso, o mundo pode acabar sendo poluído e a gente pode até morrer… e os animais também”.

À esquerda: Luisa Cristina, 13 anos, moradora da região.

Esse mutirão, no entanto, não foi um ato isolado. Ele se insere em um percurso construído há mais de uma década na Vila do Boa, com base no trabalho sistemático de formação de pré-jovens promovido pela comunidade bahá’í local. Desde 2013, o Programa de Empoderamento Moral e Espiritual de Pré-Jovens tem mobilizado adolescentes em torno de temas como justiça, amizade, coragem moral e compromisso com o bem comum, sempre por meio da ação e da reflexão coletiva.

Ao longo do tempo, esse esforço formativo expandiu-se e passou a envolver também outros atores sociais da região. Organizações comunitárias, representantes da administração local e iniciativas independentes passaram a colaborar com os jovens, reconhecendo neles uma força mobilizadora genuína. Assim, o que começou como pequenos encontros passou a gerar impactos visíveis no território – como a limpeza de espaços públicos, pintura de paradas de ônibus, realização de colônias de férias e o fortalecimento de vínculos entre famílias.

Uma ação anterior realizada em 2021, por exemplo, reuniu dezenas de jovens da Vila do Boa para limpar o mesmo córrego. Naquela ocasião, os próprios participantes buscaram apoio junto ao poder público, resultando na instalação de placas educativas e na retirada de 12 toneladas de resíduos. “A pergunta que movia o grupo era: se limpamos o rio, como garantir que ele continue limpo?”, recordam os organizadores.

Registros do ato de serviço realizado em 2021.
Registros do ato de serviço realizado em 2021.

Essa disposição para o aprendizado contínuo e para a ação coletiva tem levado os grupos a avançarem na compreensão de que o cuidado com o meio ambiente vai além de intervenções pontuais. Está em curso, na Vila do Boa, um esforço para criar sistemas duradouros de cuidado com o entorno, reconectar a comunidade com a natureza e formar uma consciência coletiva sobre a importância da preservação ambiental.

As colônias de férias têm desempenhado papel importante nesse processo. Elas funcionam como espaços de iniciação e fortalecimento de vínculos, incluindo um número maior de participantes e possibilitando novas colaborações. Iniciativas dessa natureza têm se multiplicado em todo o país nos últimos anos, tornando-se instrumentos para fortalecer vínculos e promover educação transformadora.

Para Kelvin Mendes, coordenador do programa na Vila do Boa, o mutirão de limpeza é uma extensão natural daquilo que se aprende ao longo do ano. “O ato de serviço é um dos elementos centrais do programa de pré-jovens. A gente pensa junto sobre o que pode beneficiar a comunidade e isso ajuda os jovens a criarem consciência sobre o mundo à sua volta”.

A mobilização da juventude na Vila do Boa é, assim, uma demonstração viva de que a participação social vai além de ocupar espaços institucionais, apenas. Nessa perspectiva, trata-se de um processo contínuo e transformador que constrói capacidades na base, cria ambientes de diálogo e ação, e contribui para redefinir as relações entre indivíduos, instituições e comunidades.

Ao protagonizarem atos de cuidado com o território, os pré-jovens da Vila do Boa afirmam, na prática, sua dignidade e sua responsabilidade coletiva. E ao unirem vizinhos, educadores, organizações e instituições públicas, fazem emergir uma cultura de pertencimento e de paz, em contraste com a lógica da indiferença ou da fragmentação presente na sociedade em geral. Como disse Evelyn, com simplicidade e profundidade: “Além de me ajudarem, eles [o grupo] ajudam o mundo”.

À esquerda: Kelvin Mendes, coordenador do programa de pré-jovem na Vila do Boa. À direita: Evellyn Lorrany, 11 anos, e Robson Majus.

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