Juventude se une para transformar comunidades em conferência no DF

Jovens do DF participam de conferência que inspira protagonismo e ação comunitária com foco em valores humanos e transformação social.

 

No sábado, 24 de maio, das 8h às 17h, cerca de 87 jovens entre 18 e 30 anos participaram da 1ª Conferência de Juventude do agrupamento Falcão Real, promovida pela Comunidade Bahá’í do Distrito Federal. Realizado na Escola das Nações, no Lago Sul, o encontro reuniu participantes de diferentes regiões do DF com o objetivo de fortalecer um movimento juvenil que já está em curso em diversas comunidades.

A proposta foi oferecer um espaço de aprendizado mútuo, espiritualidade prática e construção coletiva de ideias e planos que visam o bem comum. A conferência esteve aberta a todos os interessados, independentemente de religião ou origem, e se baseou em princípios que já vêm sendo aplicados por grupos de jovens em bairros e cidades do Brasil.

 

Juventude como força de transformação

Em tempos de crises sociais, inseguranças e desafios pessoais, o evento ressaltou o poder da transformação que habita em cada jovem. A mensagem transmitida foi clara: quando guiados por valores como justiça, empatia e solidariedade, os jovens são capazes de transformar não só suas trajetórias pessoais, mas também suas comunidades.

“Eu acho maravilhoso quando a gente está junto. A gente compartilha ideias, escreve poemas, estuda e depois compartilha tudo com os amigos que não puderam vir. Mesmo à distância, a gente está conectado,” contou Hevylym, de 16 anos, moradora da Cidade Estrutural.

 

Vida com propósito duplo

Outro tema central foi o duplo propósito da vida: desenvolver virtudes pessoais e colocá-las a serviço do bem coletivo. Em pequenos grupos, os participantes refletiram sobre como suas escolhas e atitudes cotidianas podem ser coerentes com um propósito mais amplo, que une o crescimento individual à transformação social.

Para muitos, o conceito não era exatamente novo — já vinha sendo vivido na prática, em ações e decisões do dia a dia. Mas ao ser nomeado e estudado com mais profundidade, ganhou contornos mais claros e inspirou novas conexões.

“O duplo propósito moral é isso: assumir a responsabilidade pelo próprio crescimento espiritual e intelectual, e ao mesmo tempo contribuir para a transformação da comunidade,” explicou Kelvin, de 22 anos, animador de pré-jovens na Vila do Boa, em São Sebastião.

Essa clareza também tocou participantes mais jovens, como Júlia, de 14 anos, do Mangueiral, que atua como professora de aula de crianças:

Esse tema me tocou muito. Ele mostra como a gente pode cuidar do lado espiritual e do lado intelectual ao mesmo tempo. Tem gente que duvida que dá, mas dá sim.”

Thayane, de 18 anos, do Morro da Cruz, destacou como a tomada de consciência amplia o sentido de cada ação:

“Quando a gente percebe esse propósito duplo com mais clareza, a gente passa a agir diferente. Ajudar o outro vira parte do nosso próprio crescimento.”

Esse é um dos aspectos que distingue o movimento bahá’í de juventude porque à medida que os jovens se engajam em ações que buscam melhorar a realidade à sua volta, suas próprias vidas também são transformadas de forma simultânea e profunda. Esse desenvolvimento acontece em múltiplas dimensões: material, intelectual e moral e reflete a visão de que servir ao próximo é também um caminho de crescimento pessoal.

Quando a gente toma consciência desse propósito duplo, a gente procura agir mais, contribuir mais. Ajudar outros passa a ser parte do nosso próprio processo de evolução,” refletiu Thayane.

Durante a manhã, os grupos produziram expressões artísticas sobre os temas estudados, traduzindo ideias em cores, símbolos e mensagens visuais. Essa combinação de reflexão, arte e espiritualidade prática marcou a tônica do encontro.

Protagonismo jovem na prática

Ao longo da conferência, a juventude foi protagonista em todos os sentidos. Participantes, facilitadores, organizadores e articuladores de ideias deram forma ao conteúdo e à condução do encontro. Essa experiência reforçou que os jovens não são apenas futuros líderes, mas agentes atuantes do presente, já comprometidos com a construção de novas realidades locais.

“Servir como animador me transforma tanto quanto os pré-jovens. A gente aprende paciência, empatia, constância — e amor. Porque o que a gente faz é levar amor para a comunidade,” completou Kelvin, ao falar sobre sua experiência na educação espiritual de adolescentes.

Me sinto bem em saber que posso ajudar a mudar a sociedade. Mesmo sendo nova, dar aula pra crianças me mostra que servir faz a diferença,” contou Júlia, que também participou de colônias de férias como voluntária. “Eu diria para quem não veio: ‘vamos, vai ser massa’. A gente explica, compartilha, e isso acaba atraindo outros.”

Durante a tarde, os grupos se reuniram por localidade para transformar ideias em planos de ação concretos, com foco em continuidade, simplicidade e acompanhamento coletivo.

Uma liderança que nasceu no coração da comunidade

Entre os participantes da conferência, a presença de Raíssa, de 27 anos, conselheira tutelar e moradora da Cidade Estrutural, chamou atenção pelo olhar maduro e comprometido com as transformações sociais. Formada em serviço social, Raíssa já atuou como educadora e assistente social, e hoje exerce sua função pública com base na vivência acumulada em sua própria comunidade.

“Desde pequena aprendi com meu pai a importância de atuar pelo bem coletivo. A minha formação profissional nunca foi apenas um título, mas uma ferramenta para servir melhor onde eu cresci,” afirmou.

Ao comentar os debates da manhã sobre o duplo propósito da vida, ela destacou como o conceito amplia a percepção do que significa ser protagonista:

“Eu posso buscar crescimento na minha área profissional e, ao mesmo tempo, fortalecer minha dimensão espiritual e ajudar minha comunidade. Não são caminhos separados. Pelo contrário, são partes de uma mesma transformação.”

Para Raíssa, o que mais a tocou foi perceber o espaço criado para que os jovens se expressem e construam vínculos reais:

“Num tempo em que os jovens estão cada vez mais isolados, iniciativas assim mostram que eles têm voz, têm valor e podem ser protagonistas de suas histórias. É algo que precisa se espalhar, porque faz diferença na vida de cada um e no tecido da comunidade.”

Encontro, arte e continuidade

A programação também incluiu momentos opcionais de oração, dinâmicas de grupo, plenárias artísticas e uma foto oficial que selou a memória coletiva do encontro. A atmosfera combinava leveza e seriedade, acolhimento e propósito.

Ao final, os participantes foram convidados para uma capacitação no dia seguinte, como forma de aprofundar os aprendizados e fortalecer os vínculos construídos durante a conferência.

Fortalecer o que já existe, convidar quem ainda não veio

A conferência não foi o início de um processo, mas a celebração e o reforço de um movimento que já pulsa em muitas comunidades do DF e do Brasil. Em bairros onde a Comunidade Bahá’í atua, jovens vêm liderando ações educativas, encontros de formação e iniciativas comunitárias. Este evento intensificou esses esforços e convidou novos participantes a se unirem a esse caminho. O que se viu ali foi prática, organização e uma juventude que já está fazendo, e que agora quer fazer ainda mais, junto com outros.

Por mais que a gente venha de lugares diferentes, é na união que está a força da juventude. É no amor, na amizade, na inclusão de todos,” resumiu Hevylym, ao refletir sobre o impacto do encontro.

 

Compartilhe sua experiência

A experiência vivida nessa conferência é apenas uma entre tantas que vêm florescendo em diferentes partes do país. Se você também tem uma iniciativa que possa contribuir com esse processo, servir de inspiração ou ser replicada em outras comunidades, compartilhe conosco. Relatos como este ajudam a inspirar, conectar e fortalecer redes de ação que, em sua diversidade, constroem juntos um padrão de vida mais espiritual, solidário e transformador.

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