Uma Casa de Adoração para todas as pessoas

O anúncio de que a Comunidade Bahá’í do Brasil irá construir sua primeira Casa de Adoração no país, de âmbito nacional, surpreende em um detalhe: embora bahá’ís sejam naturalmente um dos públicos aos quais o edifício se destina, a Casa de Adoração é apresentada como um presente da Comunidade Bahá’í aos fiéis de todas as religiões, à sociedade em geral, a todos os brasileiros. Essa vocação por uma hospitalidade ampla será característica distintiva do empreendimento assim como é em todas as outras Casas de Adoração erguidas pelos bahá’ís ao redor do mundo. Um ideal que ganha expressão na arquitetura, na decoração, e na programação conduzida nesses espaços consagrados à devoção e ao serviço ao próximo.

Arquitetura do acolhimento

Embora as Casas de Adoração sejam propositalmente impregnadas da cultura local, regional e nacional, há um aspecto idêntico em todas elas: seu formato radial possui uma cúpula central com 9 entradas distribuídas ao redor do edifício, além de jardins projetados para serem um primeiro gesto de abertura e hospitalidade.

A base dessa escolha tem profundo alicerce sobre a convicção na unicidade da humanidade, fruto da criação de um único Deus para o qual todos se volvem e cujo destino inevitável é expressar na prática níveis cada vez maiores de unificação e civilização. A verdade de que a humanidade é uma só justifica plenamente o ideal arquitetônico de um edifício cujas portas estão abertas em todas as direções para dar boas vindas a todas as pessoas, não importa de que lado venham e quais sejam suas origens. Esse desenho radial evita hierarquias de entrada já que não há “porta principal” que valha mais do que as outras, e todas elas levam a um único salão, coberto por uma só cúpula. Todos compartilham o mesmo ambiente, o mesmo silêncio e o mesmo espírito de reverência e respeito mútuo.

O minimalismo como sagrado

A decoração interna das Casas de Adoração erguidas pelos bahá’ís também buscam coerência com os princípios expostos pela arquitetura externa. A começar pela ausência de palco, altar, púlpito, ou qualquer lócus de destaque ou privilégio. Esse detalhe, por si só, evoca a ideia de que, diante do Divino, todos nós somos iguais. Ideia profundamente enraizada na comunidade, visto que a Fé Bahá’í não possui clero profissional e não concede autoridade individual a qualquer de seus seguidores.

Outro aspecto que chama a atenção é a ausência de imagens, estátuas ou ícones que remetam a uma tradição religiosa ou cultural específica, e que possam desencorajar aqueles que não compartilham dela. Essa linguagem visual desarma expectativas materiais para que o valor espiritual do edifício seja experimentado por todos. Ao entrar, as pessoas não encontram o repertório usual de cerimônias, púlpitos e imagens — encontram um minimalismo intencional que dá espaço ao encontro interior e ao convívio respeitoso com quem reza ao lado.

A estima por toda oração, de onde quer que ela venha

O programa devocional destas Casas de Adoração segue a mesma lógica, perfeitamente complementar ao espaço físico. Leituras e orações de diversas tradições religiosas (e, naturalmente, dos escritos bahá’ís) são recitadas sem comentários doutrinários. Não há sermões, rituais ou proselitismo. O silêncio tem importante função, ajudando a criar um ambiente que coloca Deus no centro e o indivíduo em liberdade: cada pessoa se aproxima com seu repertório de fé, sem precisar abdicar dele para participar. O programa honra as diferenças e, ao fazê-lo, encontra um terreno comum: a busca sincera do bem para si e para os outros.

Todos esses elementos combinados expressam a maneira como os bahá’ís entendem a relação com suas irmãs e irmãos que professam outras religiões, e com a sociedade laica em geral. As Casas de Adoração que os bahá’ís oferecem aos povos do mundo são um lugar sagrado comum onde a espiritualidade pode ser experimentada sem barreiras e em sua forma mais pura. Nesse sentido, esses edifícios se convertem em locais com forte vocação cívica, promovendo uma cultura de paz, de cooperação e de confiança social.

Ainda em seus preparativos iniciais de projeto, a Casa Nacional de Adoração do Brasil mira em reproduzir todos esses elementos comuns a outras Casas de Adoração construídas pelo mundo, ao mesmo tempo em que busca ser uma expressão da identidade multifacetada e plural do povo brasileiro, a quem esse empreendimento se destina.

A Comunidade Bahá’í do Brasil começa hoje a publicar uma série de artigos focados nas Casas de Adoração Bahá’ís. Acompanhe nosso site para os próximos artigos.

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